http://g1.globo.com/globo-news/noticia/2014/10/guido-mantega-e-arminio-fraga-debatem-no-globonews-miriam-leitao.html
Olá a todos!
Deixando um pouco de lado o polarismo PT/PSDB, deixo aqui o link para a entrevista-debate entre o ministro da Fazenda atual, Guido Mantega e o provável ministro do mesmo ministério, caso Aécio seja eleito.
Creio ser interessante para ajudar a nortear mais os "debates" nas redes sociais, hoje, tão pobres de informações reais e conhecimento.
Bom, agora minhas considerações (sempre tendo em vista, claro, minha pendência para o liberalismo não-radical):
* Guido Mantega (GM) se mostrou um pouco menos piadista do que vinha sendo nesses meses, mais realista;
* Armínio Fraga (AF) foi ameno, objetivo e convicto, nada demais ou de menos;
* O debate serviu para abrir definitivamente a cabeça de algumas pessoas que apenas repassam informações isoladas, como essa dos empréstimos do FMI no período FHC. EU já tinha conhecimento do fato que o último acabou ficando, em sua maior parte, para o governo Lula. Não tinha levado em consideração o ponto de que o país passou por uma turbulência pesada pelo fato do Lula poder ser eleito, o que assustou o mercado. Relembrando dos fatos, faz mais sentido ainda!;
* Quanto ao ponto citado por AF que não conseguíamos vender títulos públicos para os investidores do nosso próprio país, achei que seria de bom tom se ele explicasse o argumento do GM de que tínhamos apenas 17bi de reservas na época e hoje temos 376bi por conta justamente desses títulos, visto que a reserva do país hoje, de 376bi é composta de 341bi em títulos (fonte: http://www.bcb.gov.br/pec/sdds/port/templ1p.shtm), ou seja, mais de 90% na forma de títulos da dívida pública, o que, na prática, não significa "ter o dólar em moeda", mas sim um papel dizendo que o país tem uma "dívida" nesse valor.
O país, em 1999, vinha de um período de trevas na economia, após conseguir estabilizar a inflação com o Plano Real em 1994. Por esse motivo, sempre venho dizendo que não podemos comparar o período com o Lula/Dilma, pois, como bem dito por um amigo meu, seria como comparar o Senna, com um carro em 93, com Hamilton e sua Mercedes hoje! Claro que o atual possui um carro muito melhor, pela evolução da tecnologia, porém, como seria se Senna tivesse o mesmo carro hoje? É a mesma coisa na economia! Não significa que FHC ou AF fariam mais e melhor do que GM e Dilma, porém não significa que fariam o mesmo que em 99! Se você não consegue entender este conceito, pare de ler por aqui, por favor!
* Outro ponto foi o colocado por GM que a inflação está sobre controle! Como tudo em relação a economia, esta é uma afirmação bem discutível e varia dependendo do seu ponto de vista e conhecimento sobre o mercado. Se não há consenso na economia do passado e atual, que dirá do futuro! GM crava que terminaremos o ano abaixo do teto da meta (6,5%), a maioria dos economistas nacionais, não! Além disso, o discurso já cansativo de que a inflação só está neste patamar por conta dos represamentos de preço da gasolina e da energia elétrica deve-se levar em conta;
* Ainda sobre o tópico anterior (mas importante abrir um novo item, pois é um fator crítico, que venho expondo há meses nas minhas discussões), interessante o comentário do AF quanto ao fato de que temos que investir mais na oferta, não apenas na demanda! A pressão inflacionária pode ocorrer quando há demanda e não oferta. No caso, pensemos o seguinte: em meados do governo Lula, demanda e oferta seguiam um ritmo sustentável (não foi bem assim, mas vamos simplificar). Com os programas como BF, MCMV e diminuição forçada das tarifas dos bancos estatais - Caixa e BB -, forçando também a dos bancos privados; mais dinheiro foi girado na economia! Girando dinheiro, injetando este dinheiro, há um aumento pela demanda, ou seja, uma pessoa que não tinha renda, recebe 70 reais e vai comprar pão. Como, na hipótese, o padeiro fazia 100 pães e vendia os 100. Com a chegada desta pessoa, precisa fazer 110. Só que a máquina dele não suporta fazer os 110, apenas 100. Com isso, ele vende tudo e acaba faltando. Percebendo o fato, o padeiro aumenta o valor do pão, fazendo com que retorne às 100 unidades vendidas, sem sobrar clientes. Ou seja, um incentivo à inflação.
Caso o padeiro tenha condições, vai lá e compra um maquinário novo que o ajude a fazer 110 pães, claro! Isso seria investir na produtividade. O problema está justamente aí! O setor industrial no país não tem forças para investir na produtividade (são n fatores para isso, mas nem entrarei no caso aqui). Com isso, não temos aumento de oferta dos produtos, apenas aumento na demanda.
Além disso, com uma maquinário de menor qualidade, perdemos também neste quesito - qualidade - para produtos vindos do exterior (sabemos que chineses são explorados e por isso não conseguimos competir com eles de igual pra igual). Assim, mais perdas para o setor industrial!
Sobrevivemos então do setor de serviços e de nosso carro-chefe, o setor primário, de exportações de commodities!
* Interessantíssimo também a questão de que, para conseguir comparar de forma um pouca mais "justa" os governos, deve-se comparar com outros países no período! Para utilizar o mesmo comparativo citado acima, da F1, supondo que Senna andasse a 200km/h (estou chutando valores, pois não conheço muito de F1) e os outros, em média a 150km/h, o mesmo andava 33,3% mais rápido que a média. Caso Maldonado, um dos últimos colocados, ande hoje a 250km/h em média enquanto o restante ande a 300km/h, ele, apesar de andar 50km/h (ou 25%) mais rápido que Senna, está andando 16,6% mais devagar que o geral.
Assim, como bem colocado por Constantino¹ em seu blog (http://veja.abril.com.br/blog/rodrigo-constantino/economia/vamos-comparar-fhc-a-dilma-e-arminio-a-mantega/), O Brasil no período FHC, em comparação com a América Latina, foi superior economicamente falando, enquanto o período Lula/Dilma se observou o contrário! Isso falando de inflação e crescimento econômico².
¹ você pode não gostar do Constantino e da Veja, mas as fontes dele são do FMI - que você também pode odiar, mas deve reconhecer a credibilidade.
² números são números, ou seja, podemos trabalhar a bel-prazer para nos ajudar ou prejudicar o "adversário" que se quer desconstruir. Cabe cada um avaliar suas posições, crenças e definir o que considera mais importante!
* GM se defende bem quando aponta a crise mundial como a pior desde 1930! É um fator que devemos levar em consideração, sim, quando apontamos fraco crescimento. De qualquer maneira, não significa que justifica de toda forma a péssima situação do nosso país, o crescimento abaixo do resto do mundo. Dizer que a China está desacelerando não constitui fator positivo pro Brasil, pois, tal como no caso da F1 que pontuamos, o Brasil está desacelerando mais ainda.
* Como bem pontua AF, a solução é capilarizada em produtividade, educação e infraestrutura!
* GM coloca que o MCMV é um programa que "servirá" de base para o desenvolvimento da economia, quando, na verdade, já foi utilizado e seu funcionamento está saturado, visto a crise imobiliária no país;
Considerações finais: o debate foi muito interessante, para melhorar as discussões do dia a dia, porém ainda foi fraco no formato, tal como manda a lei e regra os debates presidenciáveis também! O melhor seria uma tribuna livre entre os dois, sem tempo fixo e com um mediador apenas tentando dividir os tempos de forma razoável. No caso, a Miriam teve que ficar interrompendo as explicações a todo tempo, por vezes até de forma rude, mas enfim. Acredito também que teve pouca discussão sobre o que de fato farão para melhorar o país nos próximos anos. A discussão foi muito sobre o passado e o presente e quase nada sobre o futuro. Quanto a este, quando teve, foi bem generalizado, tal como "precisamos investir mais".
Que um dia possa haver uma melhora nesses formatos de debates, mas que as pessoas entendam alguns pontos positivos que há de se tirar do mesmo!
Abraço a todos!
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