http://www.cartacapital.com.br/revista/812/queda-livre-3631.html
Bom dia a todos!
Hoje abordaremos uma reportagem da Carta Capital (CC), que comenta a queda de produção industrial nacional.
Primeiramente, comecemos dizendo que a CC, por ser uma publicação com ideologia assumidamente socialista, apoia o governo atual. Assim, a reportagem até tenta diminuir o tamanho do problema no início, além de tentar dividir a culpa do governo com a oposição.
Porém não tem muito como fugir dos fatos. Como a própria reportagem mostra, o saldo da balança comercial nacional (a quantidade de exportação subtraído da quantidade de importação, em dólares) é ligeiramente positivo no total. O problema é quando se divide em setores, e é nessa perspectiva que abordaremos o tema de hoje.
A balança nacional, quando positiva (mostrando que exportamos mais do que importamos), é algo benéfico, pois mostra que o país produziu mais riqueza do que importou. O problema está nos setores!
No chamado setor básico, onde não há um processamento do produto a ser exportado (commodities, como soja, minério de ferro, laranja, etc), o país possui seu melhor desempenho durante os últimos quatro anos (de 2010 à 2013), com ligeiras quedas de 2011 em diante, causadas por quedas de preço no cenário mundial.
No setor de semimanufaturados, onde existe um processamento, porém não se torna o produto final (como ferro, aço, óleo de soja em bruto e celulose), o desempenho nacional foi ligeiramente positivo, também com pequenas quedas a partir de 2011, pelo mesmo motivo dos produtos básicos.
O que acaba puxando a balança para baixo e quase zerando-a em 2013, é justamente o setor de manufaturados, onde o produto se apresenta processado. Com saldos negativos maiores ano após ano, demonstra uma realidade antiga de nosso país: a falta de força de nossa indústria.
A indústria nacional não se moderniza em uma velocidade aceitável. Os motivos são inúmeros. A solução é discutível também. Vejo como necessário cortar na carne para nos desenvolvermos. Explico.
A tecnologia disponível para setores básicos e semimanufaturados é de ponta ou média. Já os investimentos na produção de manufaturados são fracos. Vale mais a pena importar um produto manufaturado de maior qualidade e preços equiparados de fora do que comprar um nacional. O motivo principal tem um nome conhecido: impostos! Tributos!. Para uma empresa nacional se manter, paga uma alta taxa de impostos. Porém, outros pontos ainda são vitais: a infraestrutura precária do país, os preços altos de serviços enfraquece mais ainda o setor, encarecendo os produtos e tornando-os menos competitivos.
Para que se mantenham ativos, o governo insiste em reduções de alguns impostos, o que não é ruim, porém ineficaz. A desoneração pode ser utilizada de modo paliativo, porém, é necessário investir em infraestrutura (estradas, postos, aeroportos, etc). É necessário também uma menor intervenção no cambio.
Aí está o ponto mais polêmico! A indústria nacional clama por manter o dólar controlado, em um patamar atual. O problema é que o governo injetando ou retirando dólares no mercado para controlar o mesmo acaba fazendo com que o setor se acomode e não busque investimentos pesados. É uma bola de neve, que culmina no setor pressionando e fazendo lobby com o governo para incentivos fiscais, enquanto não buscam a modernização. O resultado disso são produtos cada vez piores, com preços altos, enquanto somos impedidos de buscar alternativas externas pelas crescentes medidas do governo contra a importação.
Exemplificando: uma empresa de automóveis no país produz um carro com qualidade pior a de uma empresa digamos, da China. Se o preço do automóvel chinês for igual ao do brasileiro, vale a pena importarmos, para termos um carro de melhor qualidade, pelo mesmo preço. O que fazem a empresa nacional? Busca a modernização, para que a qualidade seja, no mínimo, equiparada à empresa chinesa? Deveria, mas não o faz! Os diretores desta empresa descobriram que vale mais a pena - a curto prazo - pressionar o governo, para que o mesmo lance medidas, como a redução do IPI, para diminuir o valor do automóvel nacional e outras, como a taxação de 60% do valor de um produto importado, para encarecer o veículo importado. O governo, em contrapartida, com medo de "perder" essa empresa, os impostos e os empregos que ela gera, cede a pressão.
Infelizmente é isso que ocorre a nível macro! A solução? Incentivar a modernização, desonerar tributos de importação de máquinas que modernizarão a indústria. Incentivo a aquisição de conhecimento moderno. Diminuir o nível de controle do cambio, deixando, sim, com que algumas empresas sangrem (só as que não se modernizaram o mínimo irão sofrer!). Pode ser doloroso a curto prazo, mas a longo prazo fará com que o Brasil cresça e alcance um nível de tecnologia adequado para a grandeza de nossa economia!
Infelizmente, atitudes como essas são rígidas. O governo teria que ser austero, algo impossível de se imaginar com o governo atual (Aécio diz que será! Será?). O governo tem uma preocupação maior com a imagem, com os votos, para se perpetuar no poder. E não é só o PT! PSDB, PSB, PMDB, PV, PROS, Rede, todos, infelizmente, dão indícios de se preocuparem mais com se manter no cargo do que fazer o correto.
Quem sabe um dia...
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